sábado, 6 de agosto de 2011

BOM BEIJO


Bom é o beijo

Que queima os lábios

E estremece o corpo

Que aperta o coração

E tonteia a cabeça

Que bambeia as pernas

E arrepia a espinha

Que desabrocha a flor

E rompe o caule

Que povoa fantasias

E causa desejos

Bom mesmo

É o seu beijo

Bom beijo.

VIGÍLIA


Fui fraco

Não agüentei o peso de minhas pálpebras

Meu amor lutou contra o sono

Feroz e imbatível

Resistiu até o fraquejar do físico

Mas triste

Dormiu com a solidão

Meu amor agora sonha contigo

E este sorriso em minha face

É o prazer que me dás em sonho

Repousa o teu cansaço ao meu lado

Para que juntos

Façamos o amor onírico.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

COMEÇAR DE NOVO

O FIM DO BURACO

A LAMA QUE COBRE A MÃO ESTENDIDA

THE END

ARRUMAR AS MALAS

VOLTAR PRA ALGUM LUGAR

MUDAR DE OBJETIVO

ESQUECER O QUE PODERIA TER SIDO

ESFORÇAR-SE EM SER BOM EM OUTRA COISA

RECOMEÇAR.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

OS MASCARADOS

Foto by David Whitman

Era sábado de carnaval. A cidade fervilhava de blocos e bandas que arrastavam centenas de foliões, espremidos nas ruas e becos do Centro, completamente entregues à festa Momesca.

Ao abrir a janela teve seu apartamento invadido pelo som da banda que tocava, como que o chamando para se juntar ao turbilhão que cantava e dançava marchinhas carnavalescas.

Tinha prometido não brincar o carnaval naquele ano. Mas como ficar imune ao ecoar da batida do surdo que parecia sacudi-lo dentro do conjugado alugado no décimo segundo andar do edifício Cantone?

Pegou uma máscara, que guardara de uma fantasia de um antigo desfile da escola de samba Estácio de Sá e desceu para a rua. Misturou-se à multidão que se concentrava na esquina de sua rua para o momento em que a banda sairia e guiaria os foliões pelas ruas do Bairro de Fátima, passando pela Lapa e chegando a seu final apoteótico na Praça da Cruz Vermelha.

Foi no final da Rua do Riachuelo, já virando a Lavradio que ele notou a outra máscara. Idêntica. Gêmea da dele. Provavelmente da mesma ala da Estácio. A outra máscara também notou a semelhança e por algum tempo pareceu fazer as mesmas perguntas que lhe assaltavam a mente diante da coincidência: quem seria? Conheciam-se? Estava olhando para ele? Interrompeu a busca de tais respostas e passou a observar o restante do corpo que completava a outra máscara. Moreno-jambo, alto, magro e com roupas coloridas que se harmonizavam com os tons da máscara.

A essa altura a Banda das Quengas já entrava na Rua Mem de Sá, se dirigindo para a parte final do percurso. Restavam apenas quinhentos metros para que uma aproximação acontecesse, antes da última batida do bumbo e a consequente dispersão dos foliões na esquina da Rua Ubaldino do Amaral com a Rua Washington Luis, onde morava.

Enquanto ensaiava uma aproximação, percebeu que a outra máscara se distanciava da multidão. Pensou ser um sinal e seguiu em seu encalço. De repente a outra máscara virou-se em sua direção e parou esperando que ele se aproximasse.

Assim parados, um diante do outro, pareciam deuses de uma antiga civilização indígena.

Quando ele tentou balbuciar algo; um comprimento, um olá... teve os lábios cerrados pelas pontas dos dedos do outro que com a outra mão o puxou pela nuca fazendo com que as duas máscaras se calassem num beijo ancestral.

PARAM PARAM PARAM PARAM

PAM RAM RAM RAM RAM RAM RAM

O som da corneta vinha de longe tira-lo dos braços de Morfeu. Aguçou os ouvidos para escutar com mais atenção e lembrou: A Banda!!!!

Resolvera dormir um pouco até o horário da saída da Banda e por pouco acaba, literalmente, não vendo a banda passar. Enfiou-se debaixo do chuveiro, botou uma roupa, pegou dinheiro, cigarro, camisinha e… a Máscara.

Será que seu sonho era um bom presságio?

Bom, era carnaval e os mascarados estavam soltos na rua “pra ver a banda passar cantando coisas de amor”!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Suldooeste


Eis que tudo é silêncio

do outro lado do Pacífico.

E ele

A esperar pelo Trovão

Pelo Raio

A esperar pela tempestade.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

UTOPIA



Caminho sob o sol
De encontro ao azul do mar
Desenho estrelas no céu
Vôo com as aves para o além
Em meio a cometas velozes
Eu caço o som das nossas vozes
De frente para um mundo novo
Eu quero ver você de novo
Beijar e acariciar
Teu corpo e também amar
Olho a lua e vejo você
Canto para não te esquecer
Seja dia noite ou tarde
Meu corpo por você arde
E se um raio vier me avisar
Que você está para voltar
Meu corpo todo vai vibrar
E quando o sol não brilhar
Seus olhos vão me iluminar
Amor carinho e atração
Fazendo nossa comunhão
Num mundo todo renovado
Estando com você do lado.

terça-feira, 29 de julho de 2008

SOBRE A DEPRESSÃO


Ela está me rondando
Fica a espreita
Se afinando com a oportunidade de bote
Ela sabe que eu tenho medo
E sadicamente se aproveita disto
Se mostrando em doses homeopáticas.