terça-feira, 22 de julho de 2008

ZÉCA DO BURRO




Manhã de sol
De terra rachando
De boi morrendo
De planta secando
Lá vai Zéca do burro

Tarde cinzenta
De sol sumindo
De pássaro hibernando
De café no fogo
Passou Zéca do burro

Noite de chuva
De céu sem estrelas
De relâmpago cortando o horizonte
De goteira caindo no chão da sala
Zéca do burro não vem

Madrugada calma
De final de tempestade
De cheiro de terra molhada
De polícia batendo à porta
Dizendo que Zéca do burro morreu

Zéca do burro que veio
Zéca do burro que passou
Zéca do burro que foi
Zéca do burro que não vem mais.

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