Foto by David WhitmanEra sábado de carnaval. A cidade fervilhava de blocos e bandas que arrastavam centenas de foliões, espremidos nas ruas e becos do Centro, completamente entregues à festa Momesca.
Ao abrir a janela teve seu apartamento invadido pelo som da banda que tocava, como que o chamando para se juntar ao turbilhão que cantava e dançava marchinhas carnavalescas.
Tinha prometido não brincar o carnaval naquele ano. Mas como ficar imune ao ecoar da batida do surdo que parecia sacudi-lo dentro do conjugado alugado no décimo segundo andar do edifício Cantone?
Pegou uma máscara, que guardara de uma fantasia de um antigo desfile da escola de samba Estácio de Sá e desceu para a rua. Misturou-se à multidão que se concentrava na esquina de sua rua para o momento em que a banda sairia e guiaria os foliões pelas ruas do Bairro de Fátima, passando pela Lapa e chegando a seu final apoteótico na Praça da Cruz Vermelha.
Foi no final da Rua do Riachuelo, já virando a Lavradio que ele notou a outra máscara. Idêntica. Gêmea da dele. Provavelmente da mesma ala da Estácio. A outra máscara também notou a semelhança e por algum tempo pareceu fazer as mesmas perguntas que lhe assaltavam a mente diante da coincidência: quem seria? Conheciam-se? Estava olhando para ele? Interrompeu a busca de tais respostas e passou a observar o restante do corpo que completava a outra máscara. Moreno-jambo, alto, magro e com roupas coloridas que se harmonizavam com os tons da máscara.
A essa altura a Banda das Quengas já entrava na Rua Mem de Sá, se dirigindo para a parte final do percurso. Restavam apenas quinhentos metros para que uma aproximação acontecesse, antes da última batida do bumbo e a consequente dispersão dos foliões na esquina da Rua Ubaldino do Amaral com a Rua Washington Luis, onde morava.
Enquanto ensaiava uma aproximação, percebeu que a outra máscara se distanciava da multidão. Pensou ser um sinal e seguiu em seu encalço. De repente a outra máscara virou-se em sua direção e parou esperando que ele se aproximasse.
Assim parados, um diante do outro, pareciam deuses de uma antiga civilização indígena.
Quando ele tentou balbuciar algo; um comprimento, um olá... teve os lábios cerrados pelas pontas dos dedos do outro que com a outra mão o puxou pela nuca fazendo com que as duas máscaras se calassem num beijo ancestral.
PARAM PARAM PARAM PARAM
PAM RAM RAM RAM RAM RAM RAM
O som da corneta vinha de longe tira-lo dos braços de Morfeu. Aguçou os ouvidos para escutar com mais atenção e lembrou: A Banda!!!!
Resolvera dormir um pouco até o horário da saída da Banda e por pouco acaba, literalmente, não vendo a banda passar. Enfiou-se debaixo do chuveiro, botou uma roupa, pegou dinheiro, cigarro, camisinha e… a Máscara.
Será que seu sonho era um bom presságio?
3 comentários:
Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:Quem é vc,diga logo...que eu quero saber o seu jogo...que eu quero morrer no seu bloco...que eu quero me arder no seu fogo...(rsrsr)
ADOREI MEU LINDO!PARABÉNS...BJÃOOO!SAN.
Pudera eu,ter o Dom de escrever tão bem quanto vc. O modo como consegue expressar, falar, contar um fato do dia- dia, me deixa com uma inveja boa.Mas já conheço seus trablahos de outros carnavais e sempre admirei esse dom e sabaer que vc está mostrando isso p/ outras pessoas, me deixa muito feliz.
Bj,
Leda Bastos- A futura escritora. rsrsr
Adorei Erick.Não conhecia este teu dom. Fiquei curiosa para ler outros.Beijos.elis
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